quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

EDITORIAL DEZEMBRO DE 2010

 Ousar um olhar diferente

mundo_solidario
Estamos a entrar na recta final deste ano e já vai sendo tempo de fazer um olhar retrospectivo, mas sobretudo já vai sendo tempo de olhar para a frente, de modo a prepararmos a entrada do ano que vai começar.
Normalmente este tempo é marcado por uma certa esperança, vem um ano novo e isso significa sempre um novo começo, uma nova possibilidade. É verdade que para trás nem sempre tudo correu bem, é verdade que existiram coisas que pensámos realizar e não fomos capazes de concretizar, mas também houve muita coisa positiva e concretizada e é exactamente tudo isso que serve, nestes momentos, para ousarmos olhar para a frente com um exercício de ver renovado.
Neste sentido, as celebrações que já estamos a preparar têm uma vital importância, pois permitem-nos introduzir novas dinâmicas e novos impulsos, num caminhar que muitas vezes é marcada pela rotina e pelo desânimo.
O que acontece neste ano é, no entanto, preocupante. Parece que esse virar não nos traz uma página em branco para poder ser escrita de novo; parece que nos querem impor um guião onde a palavra chave é a «crise»; parece que tudo o que quisermos escrever terá de ter essa orientação e esse enfoque.
É verdade que não podemos ser ingénuos e que temos de estar atentos e preparados para as dificuldades que não só se anunciam, mas já estão presentes. A crise de facto é uma realidade que vai marcar o nosso caminhar das mais diversas maneiras. E o que ainda mais incomoda é que ela não se deve somente a uma situação que nos ultrapassa, mas também a decisões e acções mal pensadas, fundamentadas e concretizadas. E isso ainda faz ‘doer’ mais e alimenta uma sensação de mal estar e de revolta.
Mas apesar disso ser verdade, o nosso olhar tem de ser direccionado noutro sentido, não podemos deixar que seja a crise a marcar o nosso ver a vida e o nosso compromisso com a construção do futuro, pelo contrário, têm de ser a vida e o futuro a marcar o nosso olhar para a crise. O nosso guião tem de ter como palavras chaves «uma vida com sentido e empenhada na procura da felicidade» e «um futuro mais justo e mais fraterno». Este tem de ser o tom e a marca daquilo que temos de escrever nestas novas páginas que agora se viram.
Da nossa parte será esse o tom do que escrevermos e a marca do que fizermos, porque aquilo em que acreditamos nos coloca na direcção do desenvolvimento e da solidariedade e esses só são possíveis quando inspirados não pela crise, mas pela esperança que compromete.
DIRECÇÃO do FORUM
DEZEMBRO, 2010

Sem comentários:

Enviar um comentário