sexta-feira, 18 de março de 2011

Editorial - Março 2011

CRISE FINANCEIRA…
CRISE POLÍTICA… CRISE SOCIAL…
CRISE DE VALORES...
Neste mês de Março, em Portugal, está a desenhar-se em cima da já longa crise financeira, uma crise política.
Ninguém duvida que esta crise política, no imediato e até no curto prazo, venha agravar a situação económica e a aumentar o sofrimento de muitos e, em particular, dos mais desfavorecidos.
Perante uma evolução que parece impossível de evitar, corremos o risco de posteriormente ficarmos pior e sem soluções à vista. Quaisquer que sejam os resultados tudo continuará na mesma ou a piorar se não ocorrer uma «revolução» profunda das mentalidades e das posturas, de forma generalizada.
Que bom seria se o exercício do poder, bem como a prática da oposição a esse poder, fosse realizado por pessoas que acreditam que a busca de consensos é um princípio a ser continuamente procurado, mesmo em prejuízo das ideias próprias. Ninguém é detentor absoluto da verdade. Vale a pena recordar as sábias palavras do Papa João XXIII: «Procurai mais o que vos une do que aquilo que vos separa»
Que bom seria se todos os Agentes Políticos, no exercício da sua função, colocassem em primeiro lugar o bem colectivo em vez de defender interesses pessoais ou do seu grupo.
Que bom seria se os Empresários e Gestores não se limitassem a pensar e a agir em função dos seus objectivos particulares mas que também tivessem em atenção o interesse geral no contexto nacional e internacional.
Que bom seria se Sindicatos e Trabalhadores se libertassem um pouco dos seus interesses corporativos exagerados e também tivessem em consideração os outros que não pertencem ao seu grupo ou corporação.
Que bom seria se a Comunicação Social se libertasse da sua avidez de transmitir o que é destrutivo e ao invés procurasse propagar o que é bom e justo.
Que bom seria se os cidadãos em geral se manifestassem em liberdade mas que assumissem que o direito à manifestação implica a obrigação de participação construtiva na vida da polis.
Que bom seria se os desempregados e os desfavorecidos acreditassem que a alteração da sua situação também depende deles e não exclusivamente de outros.
Os Crentes, e em particular os que se reclamam de formação Cristã, deveriam ter um papel importante nesta mudança de mentalidade, já que para eles não existem absolutos, tudo é relativo. O valor absoluto é o Deus em que acreditam. Mas onde estão os Crentes e os Homens de Boa vontade necessários à superação desta crise de valores que se abateu sobre nós, onde o egoísmo, o totalitarismo, a força, o desprezo pelos mais fracos e pelas verdades absolutas, e a ausência de ética vão fazendo escola na sociedade portuguesa?
MARÇO 2011
A Direcção

Sem comentários:

Enviar um comentário