quinta-feira, 17 de março de 2011

Na opinião de... M. C. A.

GERAÇÃO de ALEGRIA
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Anda aí uma cantiga como hino da geração que se diz à rasca…Parva que Sou, cantada por Ana Bacalhau, dos Deolinda.
Mas isso é que a cantora não é.
Diz ela a Ana Sousa Dias, no Público de 20 de Fevereiro passado:
«Quando saí da Faculdade de Letras, dei aulas no ensino privado, não gostei da experiência e fiz-me à vida, queria tornar-me independente, sair de casa dos pais. Trabalhei como assistente administrativa […] e fiz uma pós-graduação em Arquivística, continuei os meus estudos porque não ia conseguir dar aulas no público [….]
Fui arquivista no Ministério das Finanças e por vezes sentia que os meus colegas gozavam com o facto de eu ter tirado uma licenciatura de letras e fazer uma pós-graduação que não lembrava nem ao Menino Jesus. Não concebiam que uma pessoa estudasse aquilo de que gosta. Os meus estudos foram uma experiência que ninguém me tira e valorizaram-me. O que estudei ajuda-me a escolher os caminhos vocais de interpretação.»
Mas a essa mesma geração, a anterior deu cursos superiores, deu casa e carro, deu consolas de jogos e computadores e telemóveis, deu LCDs e viagens a sítios impensáveis para a dos avós. Deu auto-estradas, hospitais e escolas de qualidade e em toda a parte, redes móveis, abastecimento de água e tratamento de lixos e esgotos. Não pôde dar a todos empregos estáveis e muito bem remunerados.
Esta geração e este país têm os instrumentos e os fundamentos para a criação de mais riqueza, de mais desenvolvimento, de mais qualidade de vida para todos.

Todos têm de ser participantes. Todos defendem mais autonomia individual, mais direitos. É possível, mas autonomia e direitos implicam responsabilidade individual e colectiva, quer pelas opções feitas, e cujas consequências têm de aceitar, mas também por iniciativas que contribuam para fazer os ajustamentos indispensáveis, que a crise nacional e mundial tornou mais prementes. Alguns sectores económicos que passaram por crises graves já estão agora em recuperação acentuada e noutros patamares de desenvolvimento, qualidade e produção de riqueza.
Há trinta e tal anos, era dominante, nos debates, o grau de analfabetismo e de baixas qualificações da população. Pela mesma altura, nos países mais desenvolvidos, como os EUA e o Reino Unido, as parangonas da comunicação social eram também sobre licenciados sem emprego ou com ocupações tidas por incompatíveis com a formação académica dos jovens de 20/30 anos. Esses países ajustaram-se, as pessoas e as instituições foram criando as condições para todos viverem melhor. Curiosamente, às vezes à custa da perda de regalias.
Se a Europa Central e do Norte nos apoiaram e agora nos exigem alguma coisa, talvez não fosse mau perceber e actuar no sentido de estarmos todos à espera que os outros nos resolvam os nossos problemas, tanto ao nível individual como colectivo. Temos todas as condições e mais algumas para mudarmos do hino “parva que sou” para um hino da alegria. Assim todos dêem o que têm de melhor para lá chegar.
M.C.A.
associado do Forum

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