domingo, 1 de maio de 2011

Editorial - Maio 2011

O que fizeste do teu irmão?
No dia 5 de Junho vamos de novo ser chamados a expressar a nossa vontade e decisão acerca daqueles que, em nosso nome, governarão o nosso País. Apesar de ser mais um acto eleitoral, se olharmos para trás já temos algum percurso percorrido a este nível, não podemos cair na tentação da banalização, nem da rotina. É verdade que não vamos fazer nada que já não tenhamos feito, mas é igualmente verdade que o tempo que vivemos, no fundo como cada tempo, tem particularidades e desafios que fazem dele um tempo único e irrepetível, de tal maneira que aquilo que fizermos, ou não fizermos agora, marcará indelevelmente o nosso futuro.
edit_maioEstamos todos um pouco cansados de discursos que empurram sempre para o outro a culpa principal da situação em que nos encontramos. Sabemos também que esses discursos normalmente não levam a nada, porque tendem a amarrar-nos ao passado, imobilizando os passos que devem ser dados em direcção ao futuro.
Claro que é preciso pedir contas, mas isso não nos deve impedir de perceber que, afinal, de uma maneira ou de outra, e certamente com diversos níveis de responsabilidade, todos acabamos por ser responsáveis pela situação em que nos encontramos e pelas decisões que somos chamados a tomar.

Nesse exercício que vamos ser chamados a fazer seria bom escutar uma pergunta que, com clara sonoridade bíblica e formulada de distintas maneiras, tem acompanhado a humanidade ao longo da sua história: O que fizeste do teu irmão?
É o exercício da procura do bem-comum e de nos sentirmos corresponsáveis uns pelos outros. O outro, seja qual for o outro, sobretudo os mais pobres e desprotegidos, estão ao nosso cuidado. Enquanto não percebermos isto, enquanto ficarmos só preocupados e centrados em interesses particulares e clientelismos, não seremos capazes de construir um futuro diferente.
Seria bom que os nossos políticos percebessem isto. Seria bom que todos percebêssemos isto.
A resposta a esta pergunta, formulada em termos do passado «o que fizeste ao teu irmão?», ou em termos de futuro «o que te propões fazer ao teu irmão?», deveria constituir um critério para avaliar as diversas propostas que nos vão ser feitas e para nos ajudar a decidir em quem votar, neste momento em que ninguém deve deixar de assumir a sua responsabilidade.
MAIO – 2011
A Direcção

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