quinta-feira, 21 de julho de 2011

Na opinião de... Artur Lemos

comproComprar Produtos Fabricados em Portugal
PARA APOIAR O EMPREGO
Ao longo das últimas décadas, que me lembre, lançaram-se, uma e outra vez, campanhas de promoção da compra de produtos nacionais. Na memória de uma delas ficou-me o slogan: “Ajude-se a si próprio comprando produtos nacionais”.
A globalização e a expansão das trocas comerciais entre países e continentes faz com que o apelo à compra de produtos nacionais pareça estranho e até algo ilegítimo sobretudo quando encarado no quadro da pertença do país à União Europeia.
Não é de esperar, por isso, que o governo tome a iniciativa de lançar campanhas deste teor, vinculado como está à promoção do mercado comum europeu. Seria encarado como proteccionismo. Mas tal não impede que os cidadãos se mobilizem, por sua conta e risco, em ordem à promoção da produção nacional.
As políticas comunitárias foram parcialmente – só parcialmente – responsáveis pelo enfraquecimento do sector das pescas e da agricultura que se verificou ao longo da última década. No âmbito da indústria as multinacionais deslocalizaram para outras paragens grande número de unidades de produção que mantinham cá. Faltou-nos, nessas circunstâncias, a lucidez e a iniciativa para enfrentar com sucesso esses desafios. Como consequência diminuiu substancialmente o número de artigos produzidos em Portugal, a balança de trocas com o estrangeiro desequilibrou-se e o desemprego agudizou-se, particularmente após a crise financeira iniciada em 2008.
Noutras ocasiões o apelo à compra de produtos fabricados em Portugal apoiava-se em razões de carácter predominantemente económico. Tinha-se em vista reforçar o aparelho produtivo nacional, apoiar as empresas nacionais, fomentar a substituição de importações e promover a inovação de modo a aumentar a produtividade da economia portuguesa. Empresas originariamente nacionais passaram entretanto para a posse de entidades estrangeiras desconhecidas e a substituição de importações é facilmente anulada pela livre concorrência internacional. Uma coisa, porém, é praticamente certa. A compra de artigos produzidos em Portugal concorre directamente e visivelmente para a manutenção do emprego dos que trabalham em Portugal.
Os produtos embalados trazem, na embalagem respectiva, o código de barras. As três barras iniciais indicam em que país foram produzidos e 560 é o número que identifica o nosso país. Vai ter algumas surpresas. As “colas” mais badaladas são importadas mas as “colas” de marca própria de cadeias de distribuição nacionais ostentam o nº 560, “ fabricado em Portugal”.
Na restauração clássica a oferta de origem nacional é esmagadora. Outro tanto não se passa com o “fast food”onde predominam as cadeias internacionais. Neste caso importa ter em conta a taxa de incorporação de matérias-primas portuguesas.
Para ter a certeza de que está a comprar peixe de origem nacional (certezas absolutas não há) só dirigindo-se à lota. As peixarias identificam, em geral, a proveniência do peixe. Mas se não quiser comer todos os dias carapau, chicharro, sardinhas, peixe-espada preto ou douradas de viveiro, terá necessariamente que recorrer a peixe oriundo de outros países.
Há muita oferta de calçado nacional mas no que toca ao vestuário, principalmente feminino e juvenil, campeiam as marcas internacionais de importação directa.
As bananas colocam o comprador numa situação embaraçosa. As cultivadas na Madeira não bastam nem nunca serão suficientes para abastecer o mercado nacional. Sabem melhor e duram mais que as bananas de outras proveniências. O preço, porém, é significativamente mais elevado.
No que toca aos automóveis, onde não há qualquer marca nacional, há que privilegiar as marcas que têm operações industriais e dão mais emprego em Portugal.
O panorama da informática, nesta óptica da produção em Portugal, ainda é mais limitado. Tudo é importado directamente do estrangeiro salvo o papel de impressão.
Com o previsível arrastar da austeridade vai ser muito difícil resistir às lojas chinesas e aos “discounts” estrangeiros. A luta pela sobrevivência não deixa grande margem de escolha a quem compra.
Não podemos, porém, deixar de explorar nenhuma oportunidade de apoiar o emprego, comprando artigos produzidos em Portugal. Podemos, desta forma, salvar empregos. Poderão não ser muitos, mas lembremo-nos do que significa o emprego para qualquer trabalhador.

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