terça-feira, 15 de novembro de 2011

EDITORIAL - 2011 NOVEMBRO

Prevenção e Acção

ueO euro pode falhar e a própria União Europeia está numa encruzilhada. A mediocridade e falta de visão dos líderes europeus podem precipitar o mundo numa catástrofe. Tenha-se presente o que foi a desintegração da Jugoslávia.
Rezemos a Todos os Santos na esperança de que em todos, governantes e governados, prevaleça o bom senso e de algum lado surja um rasgo de luz a iluminar o caminho da salvação.
Mas, entretanto, nós, portugueses, temos que ir fazendo os trabalhos de casa e há muito para fazer. Mas pode começar-se por coisas simples, que têm andado esquecidas.
Portugal não é um país pobre. Tem tido capacidade para alimentar tantas clientelas, interesses corporativos, lobbies e privilégios que sugam os recursos financeiros existentes... E isso em quase todos os domínios, desde as actividades culturais, educativas, da saúde, do ambiente, até à justiça, à segurança, às obras públicas.
Só que esses grupos se preocupam exclusivamente em gastar, ou desperdiçar tantas vezes, de forma interesseira os meios disponíveis. A modernização do País tem de passar pelo controlo e desmantelamento desses interesses instalados, por um lado. Mas, por outro, e essa é a questão determinante, temos todos que, aos diversos níveis de intervenção possíveis, contribuir para uma alteração radical do padrão dominante.
O paradigma tem consistido essencialmente em gastar, ou tantas vezes em desperdiçar os recursos disponíveis, próprios e alheios, mas sem a preocupação real de criar mais riqueza, como se vê pelo medíocre crescimento do PIB nas últimas duas décadas. Tem prevalecido o consumo e a especulação à custa do investimento.
ue1Portugal, como se tem visto ultimamente, tem afinal recursos naturais, que pouco têm sido explorados, tem capacidade de produção agro-florestal sub-aproveitada, tem recursos marinhos inexplorados, tem talentos em variados domínios científico-tecnológicos, tem uma situação geográfica privilegiada entre o Norte e Sul, entre O Leste e o Oeste. Importa um esforço decisivo na exploração e rentabilização dos recursos. Se a ênfase passar, no curto/médio prazo, para a criação de riqueza, se passar a dominar a economia sobre as finanças, seremos um País melhor, mais justo, mais equilibrado, menos dependente da ajuda.
É tempo de o Ministro das Finanças dar lugar nos noticiários aos Ministros da Economia, da Agricultura, do Mar, do Ambiente, da Justiça. Temos também que rapidamente utilizar em efectiva criação de riqueza os recursos vindos da União Europeia, que até parece que deixaram de existir.
Novembro 2011
A Direção

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