terça-feira, 20 de dezembro de 2011

As bombas inteligentes de Wall Street

O Centro de Estudos Sereno Regis, que tem sede em Turim (Itália), publica com regularidade textos de análise sobre variados temas.Na Newsletter de 16 de dezembro vem publicado um artigo interesante, assinado por Manlio Dinucci, que se reproduz na integra, em tradução livre, com os agradecimentos ao Autor e ao Centro de Estudos.

As Bombas Inteligentes de Wall Street
Por Manlio Dinucci
Existem vários tipos de bombas inteligentes, e a expressão «bombas inteligentes» usada por Les Leopold, define eficazmente o «governo secreto de bombasWall Street», a poderosa oligarquia financeira que controla o estado. Em primeiro lugar são elas que afetam o cérebro com propaganda, nublando nossos olhos e levando-os a ver coisas que não existem. São muito utilizadas para mistificar a realidade da crise, para nos convencer de que ela é causada pela dívida e que, para nos salvarmos, temos de fazer sacrifícios, cortando gastos sociais.  A dívida, no entanto, não é, devida à crise.  É devida ao próprio funcionamento do mercado financeiro, dominado por poderosos bancos e corporações multinacionais.
Basta dizer que o valor de ações negociadas em Wall Street e Bolsas de valores europeias e japonesas, excede a de todos os bens e serviços produzidos anualmente no mundo.  As transações especulativas realizadas com enorme capital, criando um aumento artificial dos preços das acções e outros títulos, o que não corresponde a um crescimento real económico real: uma "bolha especulativa" que pode explodir, a qualquer momento causando uma crise financeira.
Então nesta altura o estado intervém com operações de "resgate", despejando dinheiro público (e, portanto, aumentando a dívida) nos cofres dos grandes bancos privados e grupos financeiros que causaram a crise. Só nos Estados Unidos, o último "resgate" equivale a mais de 7.000 mil milhões de dólares, dez vezes mais do que oficialmente declarada.
Isto explica-se pelo o fato de que os candidatos presidenciais são financiados através de "doações" e de outras formas, pelos grandes bancos, incluindo o Goldman Sachs, pelo que a administração Obama logo que tomou posse, nomeou para lugares-chave pessoas de confiança, que fazem parte da Comissão Trilateral.  A mesma em que Mario Monti, foi consultor internacional do Goldman Sachs e é agora chefe do governo italiano e ocupa o cargo de presidente do grupo europeu.  Não é pois de admirar que o governo secreto de Wall Street, de acordo com seus interesses, use mesmo "bombas inteligentes" reais. Não é por acaso que a última guerra, em que intervieram os Estados Unidos e a NATO tenham "inteligentemente" atingido estavam localizados em áreas ricas em petróleo (Iraque e Líbia) ou com uma importante posição de domínio regional (Jugoslávia e no Afeganistão).
Estados como o Iraque de Saddam Hussein, que ameaçou romper com o dólar ao vender petróleo em euros e outras moedas, ou como Kaddafi da Líbia, que planeava criar o dinar de ouro como um concorrente do dólar promover instituições financeiras independentes da "União Africana”, cujo desenvolvimento reduziria a influência do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.  Por razões semelhantes, é hora de olharmos a Síria e o Irão.  Crise e de guerra são duas faces da mesma moeda.  Até porque a guerra faz crescer os gastos militares, que pesando despesa pública aumenta a dívida nacional, exigindo mais sacrifícios.  Itália, calcula a SIPRI, chegou a um orçamento militar anual de 28 mil milhões de Euros, além dos gastos de manutenção.  Mas nada se diz.  As bombas em Wall Street são realmente inteligentes.

“Il manifesto, 13/12/2011”
Newsletter n.º 2011/47 de 16 de dezembro de 2011, de «Centro Studi Sereno Regis» Via Garibaldi, 13 - I-10122 Torino

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