segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Luta contra o Tráfico de Seres Humanos

No dia l8 de outubro de 2012, assinala-se o Dia Europeu de luta contra o Tráfico de Seres Humanos.
Fenómeno de enorme complexidade, o Tráfico de Seres Humanos desenvolve-se num clima obscuro e silencioso, o que fomenta a sua “invisibilidade” convertendo-o num dos negócios mais lucrativos do mundo. Esta “invisibilidade” dificulta enormemente o combate a este crime, bem como o resgate das vitimas desta actividade perversa, lançando-as no esquecimento da sociedade.
As Organizações Internacionais, públicas e privadas, Igrejas e ONG’s, não poupam condenações a esta actividade criminosa, qualificando-a de “deplorável vergonhosa, e abominável”.
É consensual que estamos perante uma grave violação dos Direitos Humanos, na medida em que neste hediondo negócio existem práticas de esclavagismo: coação, maus-tratos, exploração, sequestro, perda de identidade" e, sobretudo, é retirado às vítimas um pressuposto indispensável da sua condição humana e que e a Liberdade.
O Relatório da ONU de 2006 afirmava "...na prática, nenhum país da mundo está livre do crime do tráfico de pessoas para exploração sexual e/ou laboral". É um drama transversal a todos os países, “de origem ou de destino” de pessoas vítimas de tráfico.
A camuflagem deste fenómeno, envolto no manto de silêncio que paira a nível social, dificulta a identificação das vítimas e a aproximação à sua deplorável realidade.
Resulta muito difícil chegar até elas, para as ajudar a sair das redes criminosas onde estão emaranhadas. Dada a sua especial vulnerabilidade social, caem no enredo e na sedução, deixando-se facilmente enganar pelos aliciadores. E quando dão por ela, estão asfixiadas na exploração, seja laboral ou sexual.
No caso das crianças e das mulheres quando traficadas com fins de exploração sexual, são obrigadas a sobre/viver no medo, condenadas a um silêncio constrangedor. Elas são, naturalmente, o “elo mais fraco” no meio deste xadrez criminoso. Mal amadas e mal nutridas, mal crescidas e mal ensinadas, convertem-se em presas fáceis de depredadores sem escrúpulos, perante os quais, ninguém tem mão nos rios de dinheiro que lucram com esta actividade criminosa.
Queiramos ou não, tenhamos mais ou menos consciência deste problema, todavia ele toca-nos a todos bem de perto. E não se pense que só atinge “mulheres estrangeiras, em situação irregular, em contextos de prostituição forçada...”; bem pelo contrário, ele dá-se perfeitamente no seio das sociedades organizadas e ricas, nos locais mais recônditos e nas famílias mais insuspeitas.

CAVITP – Comissão de Apoio às Vítimas do Tráfico de Pessoas

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