quinta-feira, 25 de setembro de 2014


» 25/09/2014 1O:43horas

PAQUISTÃO - ISLÃO

Rawalpindi - Líder cristão assassinado na cadeia: estava acusado de blasfêmia.
por Jibran Khan

O reverendo Zafar Bhatti, de 42 anos, Presidente da Missão Mundial Jesus, foi acusado (sob falsas acusações) de violar a "lei negra". Morreu na sua cela, atingido por várias balas. Nas últimas semanas, havia estado sujeito a ameaças de guardas prisionais e outros reclusos. Fontes católicas, diz Asia News, prometem uma "batalha jurídica" para se fazer justiça.

Rawalpindi (RV) - Mais um caso de assassinato extrajudicial, no Paquistão, de um líder cristão na prisão há anos - embora inocente - por acusação de blasfêmia, alegadamente morto pelos próprios agentes encarregados de garantir a sua segurança.
A vítima, de 45 anos de idade, foi o Reverendo Zafar Bhatti, cujo corpo sem vida foi encontrado esta manhã na sua cela na prisão de Adyala, em Rawalpindi.
Desde julho de 2O12, que o presidente da Missão Mundial Jesus, estava sob investigação por alegadamente violar a "lei negra", apesar de não haver evidências sobre a sua culpabilidade. Fontes católicas de Rawalpindi, falaram com "Asia News" sob anonimato, de uma "história terrível" e anunciando medidas legais «assim que sejam divulgados os resultados da autópsia». "Pediremos também - acrescentam - maior proteção para aqueles que estão a ser julgados por blasfêmia".
Associações e pro-ativistas de direitos humanos exigem uma investigação completa para esclarecer ainda a "barbárie" que tem sido perpetrada no Paquistão.
O rev. Bhatti era natural de Karachi, mas em 2010 mudou-se para Lahore, para a colónia Nawaz Sharif, onde viveu por dois anos. Trabalhou intensamente em defesa dos direitos dos cristãos e outras minorias religiosas. Em 10 de julho de 2O12 transferiu-se com a família para a capital Islamabad.
Surpreendentemente, no dia seguinte, foi apresentada uma queixa contra ele na polícia em New Town, Rawalpíndi, por Ahmed Khan, vice-secretário do movimento islâmico Jamat EHL-e-Sunnat.
De acordo com o relatório da polícia, Khan teria recebido, no seu número de telefone, algumas mensagens - por um número visível, mas que não gravou na memória - que continha linguagem ofensiva para com a mãe de Mühammad [Maomé]. Foi à polícia, ameaçando recorrer aos extremistas se os agentes não iniciassem  um processo por blasfêmia na seção 295-C do Código Penal.
A história tem muitos aspetos obscuros, incluindo a própria acusação. Por lei, qualquer pessoa que viola os artigos 295 B e C do Código de Processo Penal corre o risco de pena de morte. No entanto, uma ofensa contra a mãe do profeta rege-se pela seção 295 A, a qual prevê uma punição mais branda. Em 16 de julho, as autoridades prenderam o Rev. Bhatti e a irmã Nasreen Bibi, e durante a prisão preventiva, submeteram-no à tortura e outras abusos para lhe  extorquir uma confissão que nunca chegou, porque ele, sempre indignado, rejeitou as acusações declarando-se inocente.
Durante a investigação, verificou-se que o número de telefone pertencia a Ghazala Khan, primo do líder cristão e colaborador dentro de sua associação, o qual também incorreu em julgamento por blasfêmia. Em dezembro de 2012, a mulher foi libertada sob fiança, com a condição de estar presente durante as audiências; nos últimos meses, ativistas e organizações lançaram apelos para que o processo decorresse na prisão, por medo de ataques contra os réus sob a ameaça constante.
No entanto, as tentativas de pressão sobre as autoridades não foram suficientes e de noite o Rev. Bhatti foi morto, de acordo com as últimas informações, pelos agentes responsáveis pela sua segurança, com vários tiros. Nas últimas semanas, tinha confidenciado, por várias vezes à família, temer por sua vida que estava sob ameaça, não só dos outros prisioneiros, mas dos próprios guardas prisionais.
Com mais de 180 milhões de pessoas (das quais 97% professam o Islão), o Paquistão é o sexto país mais populoso do mundo e em segundo lugar entre os países muçulmanos, depois da Indonésia, sendo cerca de 80% muçulmanos sunitas, enquanto os xiitas são 20% do total. Há minorais de Hindus (1,85%), cristãos (1,6%) e sikhs (0,04%). Os ataques contra minorias étnicas ou religiosas ocorrem em todo o país, mas nos últimos anos tem havido uma escalada real. Dezenas incidentes de violência, incluindo ataques dirigidos contra comunidades inteiras (Gojra , em 2009, ou Joseph Colony Lahore março 2013), locais de culto (Peshawar em setembro) ou abusos contra as pessoas (Sawan Masih e Asia Bibi , Rimsha Masih ou o jovem Robert Fanish Masih, também ele morto na cela), muitas vezes perpetrada sob o pretexto das leis da blasfêmia.

FONTE: «ASIA NEWS» .
Tradução livre de: FORUM ABEL VARZIM - LISBOA, PORTUGAL.


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