quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Religião usada como "muleta" para o exercício do poder

Temos assistido, nos últimos tempos, a espetáculos de violência generalizada, praticados sob pretexto religioso, realidade que não é infelizmente,  só dos nossos dias. Se olharmos a história do Mundo, verificamos que através dos séculos essa foi uma realidade constante, promovida sob pretexto religioso de várias confissões, pelos poderes instituídos.
Alegam os praticantes de tais atos, que vigam ofensas praticadas contra os seus símbolos, ou que pretendem implantar um comportamento social de acordo com as suas convicções. Parece-nos que se trata de uma falsa desculpa, pois quem alegadamente pratica a violência, mais não faz que desrespeitar a consciência de cada um. A nosso ver trata-se de um ataque à liberdade de consciência, e não somente à liberdade de expressão, como, para aí, ouvimos ser dito.   
Os "senhores" que induzem os seus seguidores a praticar a violência, ficam eles próprios resguardados nas suas «área de conforto», e quem sofre as consequências são, frequentemente, vítimas inocentes. Trata-se de um exercício de poder sobre as consciências sob pretexto religioso.
Será interessante, lermos o que nos dizem os documentos do Concílio VATICANO II. Na declaração «Nostra Aetate -E Igreja e as Religiões Não-Cristãs» (n. 5), refere o seguinte: «A Igreja olha (…) com estima para os Muçulmanos, que adoram o Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente (…)»; «Embora ao longo dos séculos não poucas discórdias e inimizades tenham surgido entre Cristãos e Muçulmanos, o sagrado Concílio exorta todos para que, esquecendo o passado, pratiquem sinceramente a mútua compreensão, defendam e promovam, em comum, a justiça social, os bens morais, a paz e a liberdade para todos os homens.»
Sobre este tema, a Comissão Nacional Justiça e Paz divulgou há pouco um comunicado, cuja leitura recomendamos.



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