segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

POMPA e CIRCUNSTÂNCIA



Estamos habituados a olhar para as cerimonias religiosas, nomeadamente nos Templos Católicos, nos seus aspetos exteriores, que são aqueles que chamam a nossa atenção.
O objetivo do "cerimonial" praticado não é inócuo pois ele, se bem utilizado, predispõe os crentes para um contato mais íntimo com a «TRANSCENDÊNCIA», objetivo último do culto religioso, qualquer que seja a religião praticada por cada um.
Acontece porém frequentemente que,  os executores do cerimonial, desvirtuando o objetivo e o sentido da cerimonia, se enchem de orgulho e entendem que são, eles próprios, seres privilegiados situados num patamar superior, com o dever de orientar os demais, seus inferiores. Vemos isso muitas vezes.
As cerimonias no Vaticano não escapam a estas realidades, e por isso, depois do cerimonial da imposição dos barretes aos novos Cardeais, parece-nos importante lermos o que Papa Francisco disse na Homilia que proferiu, durante a Eucaristia celebrada com os novos Cardeais, no passado dia 15 deste mês de fevereiro de 2015: 

...«A compaixão leva Jesus a agir de os três conceitos-chave que a Igreja nos propõe na liturgia da palavra hodierna: forma concreta: a reintegrar o marginalizado. E estes são a compaixão de Jesus perante a marginalização e a sua vontade de integração.»...

e mais adiante:

... «Amados novos Cardeais, esta é a lógica de Jesus, este é o caminho da Igreja: não só acolher e integrar, com coragem evangélica, aqueles que batem à nossa porta, mas sair, ir à procura, sem preconceitos nem medo, dos afastados revelando-lhes gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos. «Quem diz que permanece em [Cristo], deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2, 6). A disponibilidade total para servir os outros é o nosso sinal distintivo, é o nosso único título de honra!»...

A Homilia do Papa é um documento que merece ser lido, pois recoloca a tónica na "compaixão", no "acolhimento" no "serviço aos outros".


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