segunda-feira, 10 de agosto de 2015

2015 / EDITORIAL - TODOS SOMOS MIGRANTES

Nestes dias de ociosidade, em que grande parte da população está de férias ou a pensar nas férias e entretida nas redes sociais com a morte do leão Cecil, os media insistem em inundarmo-nos com imagens arrepiantes dos migrantes que tentam, a partir de Calais, chegar a Inglaterra atravessando o canal da Mancha, arriscando tudo o que lhe resta, ou seja, a própria vida!
Estes migrantes, após ultrapassar barreiras inimagináveis para nós europeus, na longa travessia que fizeram desde a saída das suas terras de origem, tentam entrar no país europeu que eles acreditam que os irá acolher e proporcionar as condições básicas para terem a vida que tanto anseiam e que para eles representa “o sonho europeu”! No entanto, os líderes europeus, representantes de uma Europa que se diz de matriz cristã, não se encontram disponíveis para encontrar uma resposta conjunta no sentido de socorrer esta tragédia humanitária. Isto mesmo ficou bem patente nas palavras de David Cameron que qualificou estes seres humanos como uma “praga” para o Reino Unido.
E o que choca qualquer humanista é, precisamente, a incapacidade que a Europa tem revelado em demonstrar a mínima vontade de se comprometer no sentido de acolher seres humanos que fogem da guerra, da fome, das perseguições e que se encontram desesperados, sofridos, fragilizados… e etc., mesmo perante os apelos do Papa Francisco.
Merecedor de nota e de louvor é o facto de, em contraste com esta atitude, um só país, a Turquia, se ter tornado o primeiro país no mundo em acolhimento em número de refugiados.

Mas, importa ter presente que o acolhimento é responsabilidade de cada um de nós, que não seremos seres dignos enquanto não formos capazes de trabalhar no sentido de criarmos uma sociedade mais acolhedora na qual não sejam esquecidos os mais fracos e onde ninguém se sinta excluído ou discriminado.
Por isso se torna absolutamente necessário regressarmos ao Evangelho, isto é, regressarmos a Jesus e ao exemplo que ele nos dá na parábola do “Bom Samaritano”. Assim como ao exemplo que nos deixou o Pe. Abel Varzim de nos deixarmos mover pelo sentimento da compaixão e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que a vida seja melhor para todos, sem exceção.
Todos temos consciência que este não é um caminho fácil e não há fórmulas mágicas que nos permitam concretizar esse objetivo sem encontrarmos barreiras e sofrimento no seu percurso, mas temos o dever moral de o percorrer com consciência de que seremos julgados pelas gerações vindouras em função das atitudes tomadas hoje perante este flagelo, tal como nos arrogamos o direito de julgar as atitudes tomadas pela humanidade em situações semelhantes ao longo da história.

agosto
2015

A Direção

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