quarta-feira, 11 de maio de 2016

A alegria do (ter) trabalho

Recentemente o Papa Francisco fez um apelo aos intervenientes na Conferência Internacional, que decorreu, em Roma, entre 2 e 5 de maio e versou sobre o tema ”Desenvolvimento sustentável e as formas mais vulneráveis de trabalho”, para que se encontre “um novo modelo de desenvolvimento que respeite a dignidade do trabalho e a natureza”. Ora, conjugar estas duas grandes vertentes, ou seja, manter um desenvolvimento sustentável das economias, superando as formas mais vulneráveis de trabalho como sejam a precariedade que se tem vindo a generalizar cada vez mais e, em simultâneo, respeitar a natureza controlando, por exemplo, as emissões de gases poluentes, constitui um enorme desafio para o qual será cada vez mais premente que se encontrem soluções razoáveis e consistentes.
De facto, os modelos de desenvolvimento que têm sido seguidos, nomeadamente na europa, não têm conseguido dar resposta aos muitos problemas que os trabalhadores enfrentam. Exemplo disso é o caso paradigmático do chamado “desemprego estrutural” que afeta milhares de trabalhadores que, nos últimos anos, foram lançados no desemprego e não conseguem voltar ao mercado de trabalho porque ultrapassaram a barreira dos 40 anos, mesmo tendo larga experiência e, em muitos casos, significativa escolaridade, a verdade é que são considerados “velhos” para o mercado e não lhes é dada qualquer oportunidade.
Também a generalização do pagamento de salários de miséria, que geram exclusão social e levam a que trabalhadores vivam abaixo do nível de pobreza, é terrífica principalmente quando em simultâneo são pagos salários verdadeiramente exorbitantes a pretensos “gurus” de gestão de empresas!

Por outro lado, os jovens recém-licenciados que tentam entrar no mercado de trabalho enfrentam sistematicamente “as portas fechadas” por não possuírem qualquer experiência profissional. Estamos, sem dúvida, perante um paradoxo de difícil resolução mas é hoje mais que evidente que, o mercado de trabalho revela disfuncionalidades e desajustamentos entre a oferta e a procura de emprego.
Instituir culturas de respeito, de dignificação do trabalho e caminhar no sentido de regressar a economias cada vez mais “verdes”, pressupõe ultrapassar muitos dos paradigmas em que assenta atualmente o nosso modelo de desenvolvimento económico e passará, com certeza, pelo abandono da chamada “cultura do descarte” e pela interiorização de uma conduta eticamente responsável, quer por parte dos trabalhadores, quer por parte da gestão das empresas.
Tenhamos esperança que haja vontade e coragem, principalmente por parte dos responsáveis políticos, para aderirem ao apelo lançado pelo Papa Francisco!

Maio é o mês de Maria mas também é o mês que se comemora o 1º de maio, em homenagem aos trabalhadores que lutaram (e deram a vida) para que lhes fossem consagrados direitos laborais básicos no entanto, neste momento, a principal luta de muitos trabalhadores é pela alegria de ter um trabalho que possa ser o seu sustento e das suas famílias!

2016, maio

Forum Abel Varzim

A Direção

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