quarta-feira, 11 de maio de 2016

A alegria do (ter) trabalho

Recentemente o Papa Francisco fez um apelo aos intervenientes na Conferência Internacional, que decorreu, em Roma, entre 2 e 5 de maio e versou sobre o tema ”Desenvolvimento sustentável e as formas mais vulneráveis de trabalho”, para que se encontre “um novo modelo de desenvolvimento que respeite a dignidade do trabalho e a natureza”. Ora, conjugar estas duas grandes vertentes, ou seja, manter um desenvolvimento sustentável das economias, superando as formas mais vulneráveis de trabalho como sejam a precariedade que se tem vindo a generalizar cada vez mais e, em simultâneo, respeitar a natureza controlando, por exemplo, as emissões de gases poluentes, constitui um enorme desafio para o qual será cada vez mais premente que se encontrem soluções razoáveis e consistentes.
De facto, os modelos de desenvolvimento que têm sido seguidos, nomeadamente na europa, não têm conseguido dar resposta aos muitos problemas que os trabalhadores enfrentam. Exemplo disso é o caso paradigmático do chamado “desemprego estrutural” que afeta milhares de trabalhadores que, nos últimos anos, foram lançados no desemprego e não conseguem voltar ao mercado de trabalho porque ultrapassaram a barreira dos 40 anos, mesmo tendo larga experiência e, em muitos casos, significativa escolaridade, a verdade é que são considerados “velhos” para o mercado e não lhes é dada qualquer oportunidade.
Também a generalização do pagamento de salários de miséria, que geram exclusão social e levam a que trabalhadores vivam abaixo do nível de pobreza, é terrífica principalmente quando em simultâneo são pagos salários verdadeiramente exorbitantes a pretensos “gurus” de gestão de empresas!

Por outro lado, os jovens recém-licenciados que tentam entrar no mercado de trabalho enfrentam sistematicamente “as portas fechadas” por não possuírem qualquer experiência profissional. Estamos, sem dúvida, perante um paradoxo de difícil resolução mas é hoje mais que evidente que, o mercado de trabalho revela disfuncionalidades e desajustamentos entre a oferta e a procura de emprego.
Instituir culturas de respeito, de dignificação do trabalho e caminhar no sentido de regressar a economias cada vez mais “verdes”, pressupõe ultrapassar muitos dos paradigmas em que assenta atualmente o nosso modelo de desenvolvimento económico e passará, com certeza, pelo abandono da chamada “cultura do descarte” e pela interiorização de uma conduta eticamente responsável, quer por parte dos trabalhadores, quer por parte da gestão das empresas.
Tenhamos esperança que haja vontade e coragem, principalmente por parte dos responsáveis políticos, para aderirem ao apelo lançado pelo Papa Francisco!

Maio é o mês de Maria mas também é o mês que se comemora o 1º de maio, em homenagem aos trabalhadores que lutaram (e deram a vida) para que lhes fossem consagrados direitos laborais básicos no entanto, neste momento, a principal luta de muitos trabalhadores é pela alegria de ter um trabalho que possa ser o seu sustento e das suas famílias!

2016, maio

Forum Abel Varzim

A Direção

quarta-feira, 13 de abril de 2016

EDITORIAL

Servir-se ou servir


O título deste artigo deveria aparecer com a forma de uma pergunta. Cada um de nós poderá questionar-se a si próprio se os seus atos quotidianos são maioritariamente destinados a obter prazer pessoal, esquecendo os outros, ou a obter benefícios próprios. E quando se tem algum tipo de poder, será que a nossa autoridade é exercida para o bem comum, ou fica «presa» ao nosso interesse pessoal e egoísta?

Será que esta falta de atenção ao interesse dos outros não é a raiz oculta da corrupção, de que hoje tanto se fala? Se um político exerce a sua missão esquecendo que está no cargo para servir os outros e não para se servir, não cairá facilmente nas práticas de corrupção ativa ou passiva?

Igualmente, no mundo dos negócios, os empresários e os gestores nas suas atividades que não promovam o bem comum de todos, não se inibirão de praticar atos atentatórios dos direitos de muitos em favor dos seus interesses particulares ou do seu grupo?

Também os cidadãos comuns que não tenham preocupações com o seu bem estar, mas também dos outros seus concidadãos, não sentirão problemas de consciência por ultrapassar normas, regras e leis que os beneficiam?

Afinal se isto é verdade parece que o combate à corrupção passa pelo aprofundamento do sentido do serviço dos outros em todos os de domínios da vida. Ainda há poucas semanas nas Igrejas recordavam-se as palavras de Jesus Cristo «Vim para servir não vim para ser servido».
Felizmente o sentido de serviço aos outros está muito presente em muitos homens e mulheres, em todo o mundo. O Padre Abel Varzim, patrono deste Forum, gastou a sua vida ao serviço dos outros esquecendo-se dele próprio. Graças a Deus, podemos, hoje e no passado, encontrar outros «Abel Varzim». Que o seu exemplo frutifique.

A Direção
2016

abril

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O Mundo Confrontado com a Terceira Guerra Mundial?

Esta é uma frase que vemos publicada frequentemente. Parece-nos, no entanto, que deveremos pensar que deverá haver um caminho para a PAZ, e que esta não seja «A PAZ DOS MORTOS».
Temos sido confrontados com imagens, quer de assassínios em massa, quer de pessoas, de todas as idades, fugindo da guerra em condições inimagináveis.
A GUERRA é sempre deplorável, e não podemos ficar indiferentes quer perante os que a causaram, quer quanto aos que a promovem. Aceitamos que estes têm de ser combatidos em todas a frentes, quer na luta armada, quer na busca da PAZ.
Vemos nos nossos periódicos muito jornalismo de guerra, que é necessário, mas não vemos jornalismo de paz igualmente indispensável.
Com o intuito de contribuir para a formação de uma opinião, pelos nossos leitores, publicamos no nosso PORTAL dois documentos:
·        um com a comunicação proferida pelo Presidente dos Estados Unidos, em 7 de dezembro corrente, aos seus concidadãos;
·        outro com um texto da autoria Mairead Maguire, sobre a deslocação, à Síria e outros Países, da «Delegação de Paz Internacional à Síria».

11 de dezembro de 2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

EDITORIAL - DEZEMBRO chegou

Já entramos no mês de dezembro. Aproxima-se o Natal e o ano de 2016 está prestes a «nascer». Quer o Natal, quer o Ano Novo trazem par a ribalta da vida referências a valores como a fraternidade, solidariedade, paz, justiça, respeito pela dignidade do ser humano, entre outros.
Talvez, mais do que em outros momentos históricos, aqueles valores devem ser reflectidos e, sobretudo, colocados na prática. Como alguém já disse vivemos tempos difíceis e perigosos. Tenhamos presente as guerras localizadas em diversos pontos do planeta, os atentados terroristas que têm acontecido na Europa e América e os actos de violência praticados, que «ceifam» a vida a muitos.
Embora a responsabilidade maior, de eliminar estes grandes males, esteja nos Políticos que governam o mundo, ninguém pode ficar dispensado de contribuir, ao seu nível, para que o mundo melhore. E se pensarmos bem cada um de nós dispõe de uma margem de manobra que tem a responsabilidade de usar, como seja: estar informado sobre o que se passa no mundo, manifestar a sua opinião, ajudar na formação dos mais jovens, contribuir com trabalho ou dinheiro para as grandes causas de solidariedade, pressionar os poderes económicos e políticos, etc., etc., etc.
Em Portugal, o mês de dezembro também é o mês da entrada em funcionamento de um novo Governo, depois de alguma instabilidade social e política que se verificou, logo após o acto eleitoral. Este processo deixou marcas e criou crispação no país. Espera-se e deseja-se que os valores do Natal e Ano Novo, que todos professamos, nos ajudem a perceber que o diálogo, a cooperação, o respeito pelo outro que pensa diferente de nós, a paixão pelo bem comum, são ingredientes fundamentais para construir uma Sociedade mais Justa e mais Fraterna e mais Digna.
A Direção
dezembro

2015

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Editorial - 


Dar o peixe ou ensinar a pescar

Todos nós já ouvimos algumas pessoas falar a propósito da pobreza dizer que é preferível dar ao pobre «uma cana e ensiná-lo a pescar» que oferecer «o peixe». Sim, temos de reconhecer que «dar o peixe» pode perpetuar uma situação que fará com que o pobre continue sempre pobre. Ao invés, «ensinar a pescar» cria potencialidades e ajudará o pobre a depender de si e até a alterar a sua situação de carência.
Estamos de acordo, mas quando fazemos esta reflexão uma dúvida se nos levanta. Como poderá o pobre sobreviver até que «aprenda a pescar». Esta fase, nesta linguagem simbólica, poderá levar dias, meses ou anos. E entretanto o pobre, se não tiver «peixe», acaba por morrer.
Vêm estas considerações a propósito do projecto iniciado pelo Forum Abel Varzim, noticiado no nosso PORTAL, que consiste na distribuição gratuita de refeições a famílias carenciadas do Bairro da Graça. Para alguns esta acção poderá ser classificada como «assistencialismo puro» e, portanto, não contribuirá para alterar as estruturas e os sistemas que «fabricam» a pobreza e os pobres.
Estão enganados os que assim pensam. O Forum Abel Varzim, fiel à herança do seu estimado patrono – o Padre Abel Varzim, nunca deixará de ter presente que há que construir uma sociedade mais justa mais humana e respeitadora da dignidade de todos, eliminando a pobreza. Mas essa luta é longa só poderá ser ganha a médio e longo prazos. E até lá o que fazer?
Alguns que conviveram com o Padre Abel Varzim referem que ele desejava e lutava por uma sociedade diferente, respeitadora dos direitos humanos, sem pobres. Mas esses também referem que Abel Varzim não conseguia ter dinheiro no bolso muito tempo. Não era capaz de dizer não a quem lhe solicitava ajuda para satisfazer as suas necessidades mais elementares, no imediato.
Por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17 de outubro), o INE apresenta os resultados definitivos do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2014, sobre rendimentos de 2013. A taxa de intensidade de pobreza em Portugal, que em 2012 era 24,1%, passou para 30,3% em 2013. Por outro lado, cerca de 19,5% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2013; destas, uma em cada cinco encontrava-se também em pobreza em pelo menos dois dos três anos anteriores. As percentagens têm vindo a aumentar. Esta realidade estrutural tem que ser alterada rapidamente, o que passará também pela participação dos que vivem a situação de pobreza.
No Forum Abel Varzim temos a consciência que não ficamos dispensados de lutar contra as condições estruturais da pobreza só porque estamos a distribuir algumas refeições a umas tantas famílias que delas necessitam no seu dia-a-dia.
A Direção
outubro/novembro
2015 




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A dramática questão dos Refugiados


Ao longo destes últimos meses muito se tem escrito sobre esta questão da entrada massiva de milhares de refugiados na Europa que fogem da guerra e da morte. Os meios de comunicação todos os dias transportam para nossa casa imagens chocantes e dramáticas que espelham o desespero e a angústia de centenas e centenas de crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres. Isto para não falar dos milhares que morrem afogados na sua tentativa de aqui chegar.
Toda esta gente que chega à Europa merece e tem que ser acolhida. São nossos irmãos, independentemente de crenças e culturas diferentes e em nome valores europeus de matriz cristã: - respeito pela dignidade da pessoa humana, defesa dos direitos humanos e solidariedade com os que sofrem-,  há que  respeitá-los e dar-lhe todo o apoio que necessitam, mesmo correndo o risco de haver infiltrações de terroristas.
Com muitos têm dito, e em particular o Papa Francisco, é preciso uma política comum e de colaboração dos Estados, da sociedade civil, de organizações religiosas, como é necessário generosidade e competência e eficiência, mas também lucidez.
É também evidente para todos que este problema dos refugiados não vai terminar enquanto persistirem as causas que estão a originar este grande fluxo migratória: a pobreza e a guerra nos países de origem.
Que podemos e devemos fazer para além do acolhimento fraterno aos refugiados? Hoje muitas vozes se levantam, defendo a realização de uma operação militar (guerra à guerra) que elimine os lideres dos Estados ou dos autodenominados estados para ser possível estabelecer a paz e o desenvolvimento económico e assim, desta forma travar, a debandada dos cidadãos desses espaços.
O Padre e Teólogo Anselmo Borges, na sua recente crónica no Diário de Notícias escrevia: «Como já aqui tenho escrito, será preciso atacar e destruir com a força das armas, no terreno, o bárbaro e intolerável autoproclamado Estado Islâmico».
Ao invés das convicções do padre teólogo, alguns sugerem que a questão militar é um recurso que não pode ser usado, porque não é eficaz e sugerem antes medidas que sequem as fontes de financiamento bem como e a recusa de venda de armas aos movimentos terroristas.
Quem tem razão? Estamos perante um problema muito complexo. Temos que reconhecer que a Europa não tem condições para acolher todos os refugiados mas pode ter actuações de curto e médio prazos. Por outro lado alguns países da Europa têm responsabilidades no desenvolvimento dos problemas que geraram esta onda migratória, quer por colaborarem nas «aventuras» bélicas do Sr. Bush, quer por venderem armas para o próximo oriente.
Para ajudar a uma reflexão sobre o problemas dos refugiados pomos à disposição dos nossos leitores, dois documentos distintos sobre esta temática:
  • ·         Comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz
  • ·         Texto Mairead Maguire, prémio Nobel da Paz
  • ·        Mensagem do Papa Francisco aos Migrantes e Refugiados
  •        Conferência da ONU, sobre Refugiados


Forum Abel Varzim

Lisboa, setembro de 2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

2015 / EDITORIAL - TODOS SOMOS MIGRANTES

Nestes dias de ociosidade, em que grande parte da população está de férias ou a pensar nas férias e entretida nas redes sociais com a morte do leão Cecil, os media insistem em inundarmo-nos com imagens arrepiantes dos migrantes que tentam, a partir de Calais, chegar a Inglaterra atravessando o canal da Mancha, arriscando tudo o que lhe resta, ou seja, a própria vida!
Estes migrantes, após ultrapassar barreiras inimagináveis para nós europeus, na longa travessia que fizeram desde a saída das suas terras de origem, tentam entrar no país europeu que eles acreditam que os irá acolher e proporcionar as condições básicas para terem a vida que tanto anseiam e que para eles representa “o sonho europeu”! No entanto, os líderes europeus, representantes de uma Europa que se diz de matriz cristã, não se encontram disponíveis para encontrar uma resposta conjunta no sentido de socorrer esta tragédia humanitária. Isto mesmo ficou bem patente nas palavras de David Cameron que qualificou estes seres humanos como uma “praga” para o Reino Unido.
E o que choca qualquer humanista é, precisamente, a incapacidade que a Europa tem revelado em demonstrar a mínima vontade de se comprometer no sentido de acolher seres humanos que fogem da guerra, da fome, das perseguições e que se encontram desesperados, sofridos, fragilizados… e etc., mesmo perante os apelos do Papa Francisco.
Merecedor de nota e de louvor é o facto de, em contraste com esta atitude, um só país, a Turquia, se ter tornado o primeiro país no mundo em acolhimento em número de refugiados.

Mas, importa ter presente que o acolhimento é responsabilidade de cada um de nós, que não seremos seres dignos enquanto não formos capazes de trabalhar no sentido de criarmos uma sociedade mais acolhedora na qual não sejam esquecidos os mais fracos e onde ninguém se sinta excluído ou discriminado.
Por isso se torna absolutamente necessário regressarmos ao Evangelho, isto é, regressarmos a Jesus e ao exemplo que ele nos dá na parábola do “Bom Samaritano”. Assim como ao exemplo que nos deixou o Pe. Abel Varzim de nos deixarmos mover pelo sentimento da compaixão e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que a vida seja melhor para todos, sem exceção.
Todos temos consciência que este não é um caminho fácil e não há fórmulas mágicas que nos permitam concretizar esse objetivo sem encontrarmos barreiras e sofrimento no seu percurso, mas temos o dever moral de o percorrer com consciência de que seremos julgados pelas gerações vindouras em função das atitudes tomadas hoje perante este flagelo, tal como nos arrogamos o direito de julgar as atitudes tomadas pela humanidade em situações semelhantes ao longo da história.

agosto
2015

A Direção

terça-feira, 28 de julho de 2015

SEGURANÇA SOCIAL, TSU e OUTRAS QUESTÕES...

As questões da Segurança Social, das Pensões, dos Pensionistas, etc., são um tema que tem estado em debate, e acerca do qual o atual Governo PSD/CDS tomou várias medidas, quiçá excessivas para alguns, ou insuficientes para outros, são questões fundamentais para o futuro coletivo de todos nós portugueses.
Com o intuito de contribuir para a formação de uma opinião, pelos nossos leitores, aqui divulgamos, ou divulgamos de novo, dois textos. Um, do «Congresso Democrático das Alternativas» resultante de um encontro que realizou em 16 de junho passado na Casa da Imprensa, em Lisboa, e outro  do Colóquio «Mutualismo, Segurança Social, Seguros», organizado pelo Forum Abel Varzim em 14 de outubro de 2006 [há nove anos, portanto], também em Lisboa.

Este segundo texto é importante, pois dá-nos pistas sobre a capacidade da Classe Política portuguesa de analisar os problemas, e tomar as decisões mais convenientes, e de as prosseguir qualquer que seja a Cor do Partido ou Partidos no Governo.

ler o texto 



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Participar na vida da sociedade 
é um direito e um dever de todos

Neste ano de 2015, nós, os portugueses, não podemos esquecer que em finais de Setembro, ou nos primeiros dias de Outubro, haverá eleições para a escolha de Deputados à Assembleia da República, cujo resultado implicará a Formação do Governo. A escolha que for feita, pelos cidadãos, terá fortes consequências para o futuro colectivo de todos nós. É por isso que ninguém se deve alhear do acto eleitoral e deixar que outros façam as escolhas que sempre afectarão todos.
Para os Cristãos, em particular, a participação na vida na vida pública, para além de um direito, é um dever que resulta da Fé que professam. No compêndio da Doutrina Social da Igreja pode ler-se: «... a participação é um dever a ser conscientemente exercido por todos, de modo responsável em vista do bem comum». E noutro ponto, o mesmo compêndio acrescenta: «A participação na vida comunitária não é somente uma das maiores aspirações do cidadão, chamado a exercitar livre e responsavelmente o próprio papel cívico com e pelos outros, mas também um dos pilares de todos os ordenamentos democráticos, além de ser uma das maiores garantias de permanência da democracia».
No momento em se aproxima o período em que muitos portugueses têm o seu tempo de férias, talvez seja útil começar a reflectir sobre estas questões. Depois, importa que cada um se prepare para fazer a escolha mais adequada tendo sempre em vista o alcance do bem comum, ou seja «o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro , alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição».
Como é grande a nossa responsabilidade, temos obrigação, não só de votar, mas de votar de forma muito consciente e para isso é necessário recolher informação, estudar as propostas dos diversos partidos concorrentes, quiçá, até participar em reuniões e comícios, assistir a debates para cimentar convicções. Ver, julgar e agir, a velha metodologia tão querida do Padre Abel Varzim, surge como caminho a seguir, nesta como em muitas outras situações.
junho / julho
2015

A Direcção

sábado, 6 de junho de 2015

VÍDEO: "TRÁFICO HUMANO - DESPERTE PARA ESTA REALIDADE".



Todos os dias surgem notícias e imagens de pessoas que tentam chegar à Europa,  vindas de África e de outras regiões, na esperança que ela seja o «Eldorado!». Atravessam o mar Mediterrâneo em embarcações precárias, sobrelotadas, pagando verbas inimagináveis.
Os governantes desta Europa, dita comunitária, agitam-se, enviam barcos para recolher os navegantes, pensam utilizar forças para evitar a "maré" humana, fixam quotas para redistribuir os emigrantes pelos diversos países da União Europeia, etc., etc. Hipocrisia!
Na Ásia verificamos o mesmo fenómeno! Porque será que as pessoas se metem a caminho, durante largos meses, enfrentam dificuldades de toda a ordem e bandidos de toda a espécie? Porque será?
Provavelmente, porque nas suas terras, simplesmente, não têm vida! e na busca de nova vida, arriscam-se a  cair nas mãos dos traficantes.
Quem são os ditos traficantes?
Serão só os "sicários" que contatam diretamente as vítimas, ou serão, principalmente, os grandes interesses financeiros internacionais que os utilizam, e encaminham as verbas recolhidas, para os SEUS «offshores» que gerem a partir dos Centros Financeiros do chamado "Mundo Civilizado".
Para combater o TRÁFICO é preciso combater os traficantes, e para combater os traficantes é preciso combater os «offshores».
Mas não chega! Todos nós temos uma ação a desenvolver, porque o TRÁFICO pode estar ao nosso lado, no nosso prédio, na loja que frequentamos. Temos que estar vigilantes e agir através das estruturas aptas para o efeito. A luta contra o tráfico não admite amadorismos.
Divulgamos aqui, um vídeo produzido no Brasil, que nos foi enviado por uma Organização com a qual o Forum está relacionado, acompanhado com a seguinte mensagem: «Que o vídeo cumpra sua maior função. Alertar e ajudar as pessoas, bem como sirva para auxiliar na mudança de conceitos e padrões pré estabelecidos no que concerne ao Tráfico de Pessoas. O tráfico de pessoas faz parte do nosso cotidiano e ...temos que lhe dar uma atenção especial. Não vamos fechar os olhos para este crime. Agradecemos, especialmente, todos aqueles que participaram, concederam entrevistas e tornaram realidade este documentário. Não percam tempo! Assistam, compartilhem, divulguem para que possamos alertar o maior número de pessoas!»
junho de 2015


quinta-feira, 14 de maio de 2015


Maio, maduro, Maio...

O início do mês de Maio foi marcado por dois acontecimentos marcantes: um de âmbito nacional – a greve de 10 dias da TAP e outro de âmbito Europeu - a vitória, por maioria absoluta, do Partido Conservador Inglês. É um dado que não merece contestação que a greve da TAP originou milhões de Euros de prejuízo à Companhia mas também aos sectores da Economia mais diretamente dependentes do transporte aéreo.
Terminada a greve é tentador «crucificar» os Pilotos e o seu Sindicato pela greve desencadeada. E provavelmente serão justas as críticas a eles dirigidas. De facto, a greve é uma decisão grave que só deve ser tomada em último recurso e a mesma tem de ter presente não só a defesa dos interesses corporativos, mas também o bem comum de toda a sociedade. Talvez, por isso, algo de censurável mereça ser apontado aquele Sindicato e aos Pilotos da TAP. Mas, por outro lado, é bom não esquecer que haverá culpas (algumas bem grandes) doutros Atores envolvidos.
Pensemos nas sucessivas administrações da TAP, nos vários Governos e nas decisões que são tomadas, nem sempre as mais adequadas para defender uma Empresa «bandeira» que os portugueses reconhecem e que é fundamental para o desenvolvimento do país. Não haverá aqui culpas que devem ser imputadas? Seja como for, o que todos desejaríamos era que estas situações não se repetissem. E isso não vai depender, exclusivamente, dos Pilotos nem do seu Sindicato.
Independentemente da apreciação dos acontecimentos, importa saber distinguir entre um eventual abuso ou uso impróprio do direito à greve, a criticar, e o direito à greve propriamente dito, que nunca pode ser alienado, e que deve ser sempre apoiado reconhecido como um poderoso e excecional instrumento de luta e defesa por condições de trabalho mais dignas e justas.
Outro acontecimento do início de Maio merece a nossa reflexão. A maioria absoluta obtida pelo Partido Conservador Inglês que resultou da vontade da maioria. Verdade seja dita que o número de deputados eleitos aparece condicionado pelo método utilizado para escolha dos mesmos nos diversos círculos eleitorais, favorecendo a constituição de maiorias. Em todo o caso, os Conservadores são os vencedores, indiscutivelmente. Então se é assim o que nos preocupa?
Preocupa-nos a possibilidade de acentuação do nacionalismo, o fechar as portas à Europa criando dificuldades à União, a «condenação» da emigração, a defesa de um liberalismo económica que favorece os ricos e amesquinha os pobres, etc., etc. Deus permita que estes receios sejam infundados. Recordamos aqui a palavra do Padre Abel Varzim em 15 de maio de 1948, in «O Trabalhador»: «Para um Cristão a Humanidade é uma família: a Família Humana… Nós temos uma lei: amai-vos uns aos outros. Ora o Amor significa auxílio mútuo, amparo, doação, colaboração e tudo o mais que quiserem que signifique união. Um Cristão, sob pena de trair o Cristianismo, não pode deixar de favorecer e desejar que as Nações se entendem, se auxiliem, se unem, se sacrifiquem umas pelas outras, se dêem mutuamente as mãos». 

maio de 2015

forum abel varzim

sábado, 4 de abril de 2015


O MUNDO, o IRÃO e as ARMAS NUCLEARES

Ficará o Mundo mais seguro? Parece-nos que, pelo menos, foi dado um passo mais!

A «Casa Branca» difundiu hoje, uma mensagem do Presidente Barack Obama, que a seguir apresentamos em tradução livre.

«Hoje, os Estados Unidos, em conjunto com os nossos aliados e parceiros,  alcançaram um histórico acordo com o Irão.
Se totalmente implementado, este conjunto de regras evitarão que o Irão obtenha uma arma nuclear, o que tornará a nossa nação, os nossos aliados e o mundo, mais seguros.
Durante décadas, o Irão esteve a desenvolver o seu programa nuclear.
Quando cheguei [à Presidência], o Irão estava a usar centenas de centrifugadoras - que podem produzir materiais para uma bomba nuclear - e escondia as suas instalações nucleares secretas. Tornei claro que os Estados Unidos estavam dispostos a procurar uma solução por via diplomática, se o Irão entabulasse negociações sérias.
Mas tal não aconteceu.
Então  congregamos todos para impor as, mais graves,  sanções da história, atingindo profundamente a economia Iraniana. As sanções não conseguiram deter o programa nuclear do Irão, de sua iniciativa, mas ajudaram a trazer o Irão à mesa das negociações.
Depois de muitos meses de diplomacia musculada e com princípios, os Estados Unidos - com a participação do Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, China e União Europeia - alcançaram os termos de um acordo que impedirá qualquer subterfugio do Irão para desenvolver uma arma nuclear.
Quero que entendam perfeitamente os contornos deste acordo!
Primeiro, impedirá ao Irão a busca de uma bomba de plutónio, porque o Irão não desenvolverá armas de plutónio. O núcleo do seu reator em Arak será desmantelado e deslocado. O combustível daquelas instalações será transportado para fora do Irão até terminar a vida do reator. A mais, o Irão nunca reprocessará combustível dos seus reatores atuais.
Segundo, encerrará  o trajeto do Irão para produção de uma bomba que use urânio enriquecido. O Irão concordou em reduzir as centrifugadores existentes em dois terços. Não enriquecerá mais urânio nas suas instalações de Fordow, e não enriquecerá urânio nas suas avançadas centrifugadoras, durante, pelo menos 10 anos. E a maioria do seu vasto armazenamento de urânio enriquecido será neutralizado.

Terceiro, providenciará a melhor defesa possível contra a capacidade do Irão de desenvolver uma arma nuclear em segredo. O Irão aceitou as mais robustas e intrusivas inspeções e um regime de transparência jamais negociado para qualquer programa nuclear da história. Os inspetores internacionais terão acesso sem precedentes não somente às instalações nucleares Iranianas, mas a toda cadeia de abastecimentos do programa nuclear do Irão - desde os moinhos de urânio que fornecem a matéria prima, até á produção das centrifugadoras e armazenamento que sustentam o programa.
Se o Irão fizer batota o mundo ficará a saber.
Em troca das sanções ao Irão, a comunidade internacional concordou em permitir  ao Irão o aliviar de certas sanções - as nossa próprias sanções e as sanções internacionais impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Este alivio estará dependente das medidas concretas que o Irão tomar, nos termos do acordo. E se o Irão violar o acordo, as sanções voltarão a estar em vigor. Entretanto, outras sanções Americanas ao Irão - pelo seu apoio ao terrorismo, e os seus abusos sobre os direitos humanos, e programa de mísseis balísticos - terão de ser respeitadas.
Mais, o nosso trabalho  ainda não terminou. Os negociadores continuarão o seu trabalho sobre os pormenores de como o acordo será implementado, e esse detalhes são importantes. Sejamos claros: Se o Irão vacilar, e os nossos peritos de segurança nuclear verificarem que as suas especificações não estão a ser respeitadas, não haverá acordo.
Mas se formos bem sucedidos, e o Irão for fiel ao acordado com os nossos negociadores, seremos capazes de, pacificamente, solucionar uma das mais graves ameaças de segurança à nossa Nação,  aos nossos aliados, e ao mundo.
Obrigado!
Presidente Barack Obama
»

A propósito desta notícia, parece-nos oportuno, transcrever um texto, do Padre Abel Varzim, publicado no Jornal de Notícias em 23 de março de 1944, decorria então a II Guerra Mundial, sob o título "A primeira condição da paz", onde se pode ler:

«A tragédia sangrenta que envolveu os homens numa luta sem piedade começa já de fatigá-los. O espírito humano, cansado da sua própria ferocidade, anseia, como nunca pela paz. Por uma paz de simples repouso para novas guerras, ou por uma vida nova sem guerras?
A resposta, o futuro no-la vai dar. Mas se é de verdadeira paz que se trata, muito há que modificar nas leis, nos sentimentos e nos costumes actuais dos povos!
A primeira condição da paz é, como vimos na, mensagem de Pio XII, o reconhecimento da dignidade e o respeito dos direitos da pessoa humana.
Com efeito a sociedade, qualquer que ela seja, é composta de homens e, se existe, é precisamente para os auxiliar a melhor desenvolver a sua personalidade. Falha à sua própria razão de ser, se os diminuir ou esmagar, e torna-se, por isso mesmo fonte de desordem e causa da guerra. Enquanto a sociedade não se organizar de forma a que o homem, encontre nela, e por via dela, o pleno desenvolvimento da sua personalidade, difícil será aspirar à tranquilidade e à paz»

Nesta Páscoa de 2015, não esqueçamos a busca da PAZ, que precisa do nosso contributo, pois PAZ é também acolher o nosso semelhante, e promover a Justiça!

2015, abril 03
FAV
m.g.











quarta-feira, 25 de março de 2015

Tantos milhões...

Depois de cerca de 10 anos de grande crise económica, financeira e social, parece que a UNIÃO EUROPEIA, vai gastar uns brutos milhões, com os  pobres (Quadro Comunitário 2014/2020). Ou melhor, para pagar aos Funcionários,  Instituições e Organizações Não Governamentais, que são gestoras da pobreza no nosso País.
Detenhamo-nos  sobre a "via sacra" que mulheres e homens do nosso tempo percorrem, desde que conhecem  a situação de desemprego, até tomarem consciência da condição de excluídos.  São conhecidas realidades como a que nos é relatada por uma Assistente Social, que se cruza directamente com os mais diversos percursos de vida, com os quais o Estado gasta tanto, mas tanto dinheiro…
A odisseia começa como vemos:
  • Inscrição no Centro de Emprego (resposta: não há empregos);
  • Recurso às Cantinas Sociais (onde se investiram milhões para o take-away para os obres);
  • Viver na rua porque se é despejado;
  • Receber alimentação (de IPSS's e outras organizações);
  • Inúmeros atendimentos por diversos técnicos de Serviço Social (Instituições, Autarquias, Hospitais, etc.);
  • Comer o que as carrinhas das "Equipas de Rua" dão;
  • Frequência dos balneários públicos, com recepção de “roupinha” de alguém que doou.
Estes pobres, muitos e demais,  são "os novos pobres",  porque só agora são pobres, ou porque são pobres de maneira diferente. Uma imagem excessiva da pobreza, dos que nada têm, serve para evitar falar de empobrecimento, dos que, para o poder, têm apenas alguns problemas, a que certamente sobreviverão.  É esta a imagem que vamos retendo e que se vive concretamente nos meios urbanos e não só.  As pessoas atingem um estado de vulnerabilidade e dependência sem tomar consciência que são vítimas/filhas do casamento de duas palavras que se casaram há algum tempo, e que se chamam CRISE E SOLIDARIEDADE.

"Em Portugal estamos certamente menos pobres, que há 50 anos, mas estamos muito mais desiguais. O abismo entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é cada vez mais largo e mais profundo. O bem produzido ou transformado não é justa e equitativamente repartido, por isso não é bem comum, bem de TODOS. E os pobres não são apenas os que sobrevivem com nenhuns ou escassos rendimentos. Também 10,1% dos que trabalhavam em 2012 estavam em risco de pobreza. A estes juntavam-se mais de meio milhão de desempregados, sem qualquer tipo de apoio, crianças e jovens até aos 18 anos (24,4%) e idosos (14,7%) com reformas abaixo do salário mínimo nacional. Se não fosse pelas prestações sociais, em 2012, 46,9% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza ou pobreza efectiva. "( In. Pobreza Ilegal)

E porque é fundamental e indispensável que tornemos actual o testemunho do Padre Abel Varzim, meditemos no que escreveu Helena Cidade Moura:  "Refiro-me por exemplo, ao fenómeno da exclusão social, que atinge hoje toda a Europa. O Padre Abel Varzim, em toda a sua mensagem, chama a atenção de todas as classes sociais, para os perigos da desadaptação que o sistema comporta e disse-o também claramente, que só pela dignificação dos excluídos (na altura oprimidos) eles poderiam sair da situação em que se encontravam. Naquele tempo as palavras do Padre Abel, foram consideradas como apelo à rebelião e impróprias de um sacerdote."
mt

março de 2015
forum abel varzim

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

POMPA e CIRCUNSTÂNCIA



Estamos habituados a olhar para as cerimonias religiosas, nomeadamente nos Templos Católicos, nos seus aspetos exteriores, que são aqueles que chamam a nossa atenção.
O objetivo do "cerimonial" praticado não é inócuo pois ele, se bem utilizado, predispõe os crentes para um contato mais íntimo com a «TRANSCENDÊNCIA», objetivo último do culto religioso, qualquer que seja a religião praticada por cada um.
Acontece porém frequentemente que,  os executores do cerimonial, desvirtuando o objetivo e o sentido da cerimonia, se enchem de orgulho e entendem que são, eles próprios, seres privilegiados situados num patamar superior, com o dever de orientar os demais, seus inferiores. Vemos isso muitas vezes.
As cerimonias no Vaticano não escapam a estas realidades, e por isso, depois do cerimonial da imposição dos barretes aos novos Cardeais, parece-nos importante lermos o que Papa Francisco disse na Homilia que proferiu, durante a Eucaristia celebrada com os novos Cardeais, no passado dia 15 deste mês de fevereiro de 2015: 

...«A compaixão leva Jesus a agir de os três conceitos-chave que a Igreja nos propõe na liturgia da palavra hodierna: forma concreta: a reintegrar o marginalizado. E estes são a compaixão de Jesus perante a marginalização e a sua vontade de integração.»...

e mais adiante:

... «Amados novos Cardeais, esta é a lógica de Jesus, este é o caminho da Igreja: não só acolher e integrar, com coragem evangélica, aqueles que batem à nossa porta, mas sair, ir à procura, sem preconceitos nem medo, dos afastados revelando-lhes gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos. «Quem diz que permanece em [Cristo], deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2, 6). A disponibilidade total para servir os outros é o nosso sinal distintivo, é o nosso único título de honra!»...

A Homilia do Papa é um documento que merece ser lido, pois recoloca a tónica na "compaixão", no "acolhimento" no "serviço aos outros".


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Religião usada como "muleta" para o exercício do poder

Temos assistido, nos últimos tempos, a espetáculos de violência generalizada, praticados sob pretexto religioso, realidade que não é infelizmente,  só dos nossos dias. Se olharmos a história do Mundo, verificamos que através dos séculos essa foi uma realidade constante, promovida sob pretexto religioso de várias confissões, pelos poderes instituídos.
Alegam os praticantes de tais atos, que vigam ofensas praticadas contra os seus símbolos, ou que pretendem implantar um comportamento social de acordo com as suas convicções. Parece-nos que se trata de uma falsa desculpa, pois quem alegadamente pratica a violência, mais não faz que desrespeitar a consciência de cada um. A nosso ver trata-se de um ataque à liberdade de consciência, e não somente à liberdade de expressão, como, para aí, ouvimos ser dito.   
Os "senhores" que induzem os seus seguidores a praticar a violência, ficam eles próprios resguardados nas suas «área de conforto», e quem sofre as consequências são, frequentemente, vítimas inocentes. Trata-se de um exercício de poder sobre as consciências sob pretexto religioso.
Será interessante, lermos o que nos dizem os documentos do Concílio VATICANO II. Na declaração «Nostra Aetate -E Igreja e as Religiões Não-Cristãs» (n. 5), refere o seguinte: «A Igreja olha (…) com estima para os Muçulmanos, que adoram o Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente (…)»; «Embora ao longo dos séculos não poucas discórdias e inimizades tenham surgido entre Cristãos e Muçulmanos, o sagrado Concílio exorta todos para que, esquecendo o passado, pratiquem sinceramente a mútua compreensão, defendam e promovam, em comum, a justiça social, os bens morais, a paz e a liberdade para todos os homens.»
Sobre este tema, a Comissão Nacional Justiça e Paz divulgou há pouco um comunicado, cuja leitura recomendamos.